A caçamba continuava lá, mas a Fiat começou a vender também uma ideia de passeio.

Quando a Fiat lançou a Fiorino Trekking em meados de 1995, a picape ainda era, em essência, uma ferramenta. Tinha tração dianteira, cabine para duas pessoas e a missão óbvia de levar carga. Mas suspensão mais alta, pneus de perfil elevado e faróis auxiliares sobre a cabine deixavam claro que a marca queria conversar com outro tipo de comprador.
A Trekking não era 4×4 e não tentava esconder suas limitações. Ela mostrava que uma picape pequena também podia ter graça fora do trajeto entre o depósito e o cliente.
Nesta matéria, você vai ver:
- como o Fiat 147 abriu espaço para a picape compacta no Brasil;
- o que a Fiorino Trekking mudou na linguagem dessas utilitárias;
- por que a Strada ampliou a ideia de uso misto;
- onde entram cabine estendida, dupla e terceira porta;
A caçamba nasceu para o trabalho
A origem está no Fiat 147 Pick-up, lançado em 1978. Era uma solução muito brasileira: aproveitar a base de um carro pequeno para criar um utilitário acessível a comerciantes e prestadores de serviço.
Depois vieram City e Fiorino, mantendo a lógica de cabine simples e espaço reservado à carga. Duas pessoas à frente; mercadoria atrás.
A Trekking mudou o tom, não a missão
A Fiorino Trekking apareceu com suspensão elevada, pneus de perfil mais alto e faróis auxiliares presos à estrutura tubular. Não era um veículo de trilha, mas indicava que um caminho de terra ou uma ida ao sítio não precisavam ser tratados como território proibido.
O curioso é que a Fiat não precisou reinventar o carro para mudar sua leitura. O *Motor1.com Brasil* interpreta a Trekking como um antecedente da fórmula explorada mais tarde na linha Adventure: carro conhecido, modificações relativamente simples e aparência aventureira.
A limitação estava dentro da cabine
A Fiorino ainda levava apenas motorista e passageiro. Para uma família, isso pesava mais do que qualquer farol extra. E é aí que a Strada, lançada em 1998, começa a contar outra história.
A cabine estendida surgiu no ano seguinte; a dupla, em 2009; e a terceira porta do lado direito, em 2013. Juntas, essas mudanças mostraram que a caçamba seguia importante, mas a picape não precisava mais obrigar seu dono a ter um segundo carro para acomodar a família.
Esse talvez seja o salto mais decisivo da Strada.
A liderança atual não veio de uma única escolha
Segundo a Fenabrave, a Strada terminou 2025 como o veículo mais emplacado do Brasil, com 142.891 unidades. O número não prova uma causa única, mas ajuda a dimensionar como a fórmula se consolidou: ela continua atendendo ao trabalho e absorveu conforto, equipamentos e configurações de cabine que ampliaram seu uso.
A Fiorino Trekking não resolveu tudo. Ela apontou uma direção.
Para você, uma picape compacta precisa priorizar carga ou passageiros?





