Mercedes-Benz Classe V chega para provar que espaço também pode ser luxo

A nova minivan põe quem viaja atrás no centro da experiência.

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A Mercedes-Benz abriu a pré-venda da Classe V no Brasil em 23 de setembro de 2026. A V 300 chega importada em duas versões, com sete lugares, motor 2.0 turbo híbrido leve e preços entre R$ 729.900 e R$ 834.900. Mas a história não está só no emblema ou no valor: ela está na segunda fileira, onde uma minivan volta a disputar atenção com SUVs de luxo por uma vantagem muito simples, espaço útil para pessoas de verdade.

Nesta matéria, você vai ver:

  • por que a Classe V não tenta se passar por um SUV;
  • como as duas versões tratam os passageiros da segunda fileira;
  • o que o conjunto mecânico entrega no uso brasileiro;
  • onde cabem sete ocupantes e 1.410 litros de bagagem;
  • o que ainda é cedo para concluir sobre o mercado de minivans premium.

O luxo começa onde muitos carros terminam

A V 300 Avantgarde custa R$ 729.900 e traz duas poltronas individuais Comfort na segunda fileira, montadas sobre trilhos. Elas podem ser movidas e dispostas frente a frente. A V 300 Elegance, por R$ 834.900, acrescenta climatização para esses bancos, apoio para os pés e carregamento por indução, além de acabamento em couro Lugano, madeira e iluminação ambiente de 64 cores.

Não é uma configuração pensada para encher o carro de ocupantes em uma viagem eventual. A proposta é outra: dar a quem vai atrás um lugar que não pareça um apêndice do motorista.

A Mercedes-Benz descreve o interior como espaço para trabalho, conversa ou descanso. É uma leitura de fabricante, naturalmente, mas a arquitetura ajuda a sustentar a ideia. Em vez de tentar parecer menor ou mais esportiva do que é, a Classe V assume seus 5,37 metros de comprimento e usa esse volume a favor da cabine.

Uma minivan grande, sem a rotina de veículo comercial

A Classe V mede 5.370 mm de comprimento, tem entre-eixos de 3.430 mm e leva sete pessoas. Mesmo nessa configuração, o porta-malas declarado é de 1.410 litros. Com os bancos reorganizados, a marca informa até 2.870 litros; na configuração máxima de carga, são 5.010 litros.

Os números explicam por que a comparação apenas com um SUV é incompleta. SUVs de luxo podem oferecer três fileiras, mas raramente reservam tanta liberdade para mexer em bancos, passageiros e bagagem sem transformar um dos três em sacrifício.

Também há soluções que importam mais no dia a dia do que em uma foto de catálogo: portas laterais deslizantes elétricas nos dois lados, porta-malas EASY-PACK, janela traseira com abertura independente e encostos rebatíveis. Para quem precisa levar família, convidados ou clientes, o acesso à cabine é parte da experiência, não detalhe de planilha.

O motor aposta em refinamento, não em espetáculo

As duas versões usam o quatro-cilindros M254 2.0 turbo a gasolina, com 231 cv e 370 Nm, combinado ao sistema híbrido leve de 48 V, câmbio automático 9G-TRONIC de nove marchas e tração traseira. Segundo a Mercedes-Benz, a velocidade máxima é de 200 km/h; a reportagem original cita aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 9,5 segundos.

O híbrido leve não transforma a Classe V em um modelo capaz de rodar só na eletricidade. Ele auxilia o motor a combustão, especialmente em partidas e retomadas. É uma diferença importante diante de minivans com híbridos plenos, como o Kia Carnival: tecnologias parecidas no nome podem cumprir funções bem diferentes.

O conjunto parece coerente com a missão. Uma minivan de 2,35 a 2,50 toneladas não precisa fingir que é esportiva; precisa acelerar com serenidade, manter velocidade de cruzeiro e não tornar cada manobra num pequeno evento.

Conforto também pede segurança e facilidade ao volante

Para lidar com o porte, a Classe V traz de série assistência ativa de frenagem, manutenção de faixa, monitoramento de ponto cego, controle de cruzeiro adaptativo DISTRONIC, câmera de monitoramento do motorista e pacote de estacionamento com câmera 360 graus, segundo a marca. Há ainda cockpit widescreen com MBUX, sistema de som Burmester 3D e integração para smartphones.

São recursos bem-vindos numa carroceria longa. Mais que requinte, eles ajudam a reduzir a parte cansativa de conduzir um veículo desse tamanho no trânsito e em garagens.

Ainda assim, a Classe V não resolve sozinha uma suposta volta das minivans premium. A Mercedes-Benz não divulgou projeções de vendas nem há dados suficientes para medir a aceitação da categoria. A chegada do modelo é um movimento concreto; chamar isso de mudança consolidada de mercado seria avançar além dos fatos.

A Classe V oferece uma escolha que os SUVs não copiam

A Classe V entra no Brasil como pré-venda, com garantia de quatro anos sem limite de quilometragem. Ela custa muito e ocupa bastante espaço na rua. Também entrega algo que nenhum SUV consegue reproduzir apenas adicionando uma terceira fileira: uma cabine concebida desde o início para que os passageiros também tenham lugar, tempo e conforto.

Pode ser um nicho. Mas é um nicho com uma lógica clara.

Você trocaria um SUV de luxo pela cabine mais flexível da Classe V?